Quando eu converso com homens que receberam o diagnóstico de câncer de próstata, quase sempre noto o mesmo silêncio inicial. Ele pesa. Depois vêm as perguntas, e uma delas aparece cedo: a retirada total da próstata é mesmo necessária? A resposta depende de cada caso, mas a prostatectomia radical segue como uma das principais formas de tratamento quando o tumor está localizado e há chance de controle da doença.
A prostatectomia radical é a cirurgia que remove a próstata e, em muitos casos, as vesículas seminais, com foco no tratamento do câncer de próstata localizado.
Na prática, ela costuma ser indicada para pacientes com expectativa de vida adequada, condição clínica para cirurgia e tumor restrito à próstata ou com extensão local selecionada. Em minha experiência, a decisão nunca deve ser automática. Eu sempre penso no estágio do tumor, no valor do PSA, no resultado da biópsia, na ressonância e no impacto que o tratamento pode ter na vida sexual e urinária do paciente.
Quando a cirurgia é indicada
Nem todo câncer de próstata precisa de cirurgia imediata. Alguns tumores crescem de forma lenta e podem ser acompanhados com vigilância ativa. Outros exigem tratamento mais direto. É nesse ponto que a retirada cirúrgica da próstata entra em cena.
De modo geral, considero a cirurgia mais comum nas seguintes situações:
-
Tumor localizado na próstata.
-
Paciente com bom estado geral de saúde.
-
Doença com perfil intermediário ou alto, conforme PSA, biópsia e imagem.
-
Desejo de tratar o tumor com retirada completa do órgão.
Em conteúdos publicados por Dr. Paulo Maron, esse cuidado com a indicação aparece com frequência, porque tratar bem não é apenas operar. É escolher a conduta mais adequada para aquela pessoa.
Técnicas disponíveis
Hoje, existem três caminhos principais para essa cirurgia. Todos buscam o mesmo objetivo oncológico, mas seguem rotas técnicas diferentes.
Cirurgia aberta
É feita por meio de uma incisão, em geral na parte baixa do abdome. Foi por muitos anos a via mais usada e ainda tem papel em vários serviços.
Entre os pontos positivos, eu destacaria:
-
Ampla visão direta do campo cirúrgico.
-
Boa opção em centros com larga experiência nessa técnica.
-
Resultado oncológico sólido quando bem indicada.
Por outro lado, pode haver maior sangramento, dor e tempo de internação em parte dos casos.
Videolaparoscopia
Nessa técnica, a cirurgia é feita por pequenos cortes, com câmera e instrumentos longos. A recuperação costuma ser melhor que na via aberta, com menor trauma da parede abdominal.
Ela exige treino técnico alto. Nem sempre é simples, especialmente em casos mais desafiadores. Ainda assim, pode trazer boa recuperação e controle do tumor.
Cirurgia robótica
Na técnica robô-assistida, o cirurgião controla braços robóticos com visão ampliada em alta definição. Eu vejo que muitos pacientes chegam ao consultório perguntando por ela, e isso faz sentido.
A cirurgia robótica permite movimentos finos e melhor visualização, o que pode ajudar na preservação de estruturas ligadas à continência urinária e à função sexual.
Dados de um estudo da revista Medicina (Ribeirão Preto) mostraram benefícios funcionais e menor tempo de internação com a técnica robótica em comparação com a aberta, com resultados oncológicos semelhantes na maior parte dos parâmetros. Já uma pesquisa da USP com 450 pacientes apontou menor volume médio de sangramento na abordagem robô-assistida quando comparada à retropúbica.

Como é o preparo e o procedimento
Antes da cirurgia, eu costumo orientar uma avaliação clínica completa. Isso inclui exames de sangue, risco anestésico, revisão de medicamentos e orientações sobre jejum. Em alguns casos, também peço ajustes de remédios anticoagulantes e preparo intestinal, conforme a técnica e a rotina hospitalar.
As etapas costumam seguir esta ordem:
-
Internação e avaliação pré-anestésica.
-
Anestesia, geralmente geral.
-
Retirada da próstata e das vesículas seminais.
-
Reconexão da bexiga com a uretra.
-
Posicionamento de sonda urinária e, às vezes, dreno.
Em casos selecionados, também pode haver retirada de linfonodos pélvicos. Tudo depende do risco de disseminação do tumor.
Riscos e possíveis complicações
Toda cirurgia tem riscos. Eu prefiro falar disso com clareza, sem assustar e sem esconder.
Os principais riscos incluem:
-
Sangramento.
-
Infecção.
-
Trombose.
-
Fístula urinária.
-
Estreitamento da anastomose entre bexiga e uretra.
-
Incontinência urinária.
-
Disfunção erétil.
Incontinência urinária e disfunção erétil estão entre as queixas mais temidas no pós-operatório, mas sua intensidade varia conforme idade, função prévia, extensão do tumor e técnica usada.
Eu já vi pacientes se recuperarem muito bem em poucos meses. Também já acompanhei homens que precisaram de reabilitação mais longa. Isso faz parte de uma conversa honesta.
Cuidados após a cirurgia
O pós-operatório pede atenção. A sonda urinária costuma permanecer por alguns dias, e o dreno, quando usado, pode ser retirado antes, conforme o volume de saída.
Os cuidados em casa costumam incluir:
-
Higiene da sonda e da pele ao redor.
-
Boa hidratação, se liberada pelo médico.
-
Caminhadas leves dentro do permitido.
-
Evitar esforço físico e peso.
-
Uso correto das medicações prescritas.
Os sinais de alerta que eu peço para observar são febre, sangramento intenso, dor forte sem melhora, saída reduzida de urina pela sonda, mau cheiro, vermelhidão importante na ferida ou falta de ar.
Recuperar bem exige atenção diária.
Um estudo longitudinal da Revista Latino-Americana de Enfermagem mostrou que fatores clínicos, psicológicos e sociais influenciam o bem-estar por até 360 dias após a cirurgia. Isso combina muito com o que observo na rotina.

Acompanhamento e reabilitação
Depois da cirurgia, o acompanhamento não termina. Na verdade, ele começa uma nova fase. O exame de PSA é uma das principais ferramentas de controle. Após a retirada completa da próstata, espero níveis muito baixos ou indetectáveis, conforme o caso.
Além do PSA, avalio o laudo anatomopatológico, a cicatrização, a continência e a função sexual. A reabilitação pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico e, quando indicado, tratamento para ereção. Quem deseja entender melhor temas relacionados pode visitar a página do autor Paulo Maron, onde há outros conteúdos educativos, além de textos como orientações sobre saúde urológica, cuidados após procedimentos e informações sobre doenças da próstata. Para localizar assuntos mais específicos, eu sugiro também a busca de conteúdos do blog.
Outras opções de tratamento
Nem sempre a cirurgia é o melhor caminho. Dependendo do tumor e do paciente, eu posso discutir:
-
Vigilância ativa.
-
Radioterapia.
-
Hormonioterapia em cenários definidos.
-
Combinação de tratamentos, conforme o estágio.
O melhor tratamento para o câncer de próstata é aquele que equilibra controle da doença, segurança e qualidade de vida.
Em resumo, a retirada radical da próstata é uma opção sólida para muitos casos de câncer de próstata localizado, com diferentes técnicas e resultados que precisam ser avaliados de forma individual. Se você busca orientação segura, avaliação especializada e acesso a técnicas modernas, vale conhecer o trabalho do Dr. Paulo Maron e agendar uma consulta para discutir seu caso com calma.
Perguntas frequentes
O que é a prostatectomia radical?
É a cirurgia para retirada completa da próstata, geralmente junto das vesículas seminais, com objetivo principal de tratar o câncer de próstata localizado.
Como é feita a cirurgia de próstata?
Ela pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. Em todas, o cirurgião remove a próstata, reconecta a bexiga à uretra e deixa uma sonda urinária por alguns dias.
Quais são os riscos da prostatectomia radical?
Os riscos incluem sangramento, infecção, trombose, estreitamento urinário, incontinência urinária e disfunção erétil. O risco varia conforme a técnica, o tumor e as condições do paciente.
Quanto tempo dura a recuperação após a cirurgia?
A recuperação inicial costuma levar algumas semanas, mas continência urinária e função sexual podem levar meses para melhorar. O tempo exato muda de pessoa para pessoa.
Quando posso voltar às atividades normais?
Atividades leves costumam ser retomadas em poucos dias ou semanas, conforme orientação médica. Esforço físico, direção, trabalho e relações sexuais dependem da evolução do pós-operatório e da liberação do urologista.








