Eu já vi muitos homens chegarem ao consultório com a mesma angústia: vontade de urinar, dor, barriga estufada e quase nada de urina saindo. Em boa parte desses casos, a pergunta surge rápido. Dá para resolver sem sonda? A resposta depende do motivo da obstrução, do grau de retenção e do tempo de sofrimento. Em alguns casos, sim. Em outros, adiar a drenagem da bexiga pode piorar tudo.
Retenção urinária é a incapacidade parcial ou total de esvaziar a bexiga, e pode virar uma urgência médica.
Quando falo de retenção urinária e uso de sonda, como tratar, eu penso em algo prático. Primeiro, aliviar a bexiga quando há risco. Depois, descobrir a causa. E, por fim, agir para evitar novas crises. Em homens acima dos 50 anos, a próstata aumentada aparece com frequência nessa história. O crescimento benigno da próstata, chamado hiperplasia prostática benigna, é muito comum e atinge entre 50% e 80% dos homens, com sintomas como jato fraco, dificuldade para urinar e retenção, como mostram dados sobre a alta frequência da HPB e seus sintomas urinários.
Como a retenção urinária costuma aparecer
Nem sempre o problema começa de forma dramática. Às vezes, eu percebo um roteiro bem conhecido. O homem passa semanas ou meses urinando mal, levanta várias vezes à noite, faz força, sente esvaziamento incompleto e empurra o assunto com a barriga. Até que um dia trava.
Os sinais mais comuns incluem:
- Dificuldade para iniciar a micção;
- Jato urinário fraco ou interrompido;
- Sensação de bexiga cheia mesmo após urinar;
- Dor ou pressão no baixo ventre;
- Gotejamento frequente;
- Vontade urgente de urinar sem conseguir;
- Agitação, suor e mal-estar em quadros agudos.
Também existe a retenção crônica. Nela, a pessoa ainda urina, mas sobra um volume alto dentro da bexiga. Isso pode levar a infecções, pedras, perda da força da bexiga e até dano renal.
Nem sempre a bexiga “trava” de uma vez.
Por que isso acontece?
A causa mais comum em homens mais velhos é a próstata aumentada. Quando a glândula cresce, ela aperta a uretra e dificulta a saída da urina. Mas eu não gosto de resumir tudo à próstata. Há outras causas que mudam a conduta.
As principais são:
- Hiperplasia prostática benigna;
- Obstrução da uretra por estreitamento;
- Inflamações ou infecções urinárias;
- Cálculos que bloqueiam a saída da urina;
- Efeitos de remédios, como alguns descongestionantes e antialérgicos;
- Alterações neurológicas que reduzem a contração da bexiga;
- Tumores do trato urinário em situações mais específicas.
Na próstata aumentada, o bloqueio urinário pode ser progressivo e silencioso antes de causar uma retenção completa.
Uma revisão com 11 estudos e 659 pacientes mostrou que a retenção urinária ocorreu principalmente em homens com hiperplasia prostática, com idade entre 52 e 82 anos, e volumes drenados que chegaram a 7.000 mL, segundo uma revisão de estudos sobre retenção urinária em homens com HPB. Eu acho esse dado muito didático, porque mostra o quanto alguns pacientes demoram para procurar ajuda.
Como eu investigo o problema
Quando há suspeita de retenção, o primeiro passo é ouvir bem a história e examinar o paciente. A avaliação clínica orienta muito. Eu observo a dor, palpo o baixo ventre e verifico se a bexiga está distendida. Em muitos casos, o toque retal ajuda a avaliar o tamanho e as características da próstata.
Os exames mais usados nessa fase são:
- Ultrassom das vias urinárias ou da próstata;
- Medida do resíduo pós-miccional;
- Exame de urina e urocultura;
- Dosagem de creatinina para ver função renal;
- PSA, quando faz sentido no contexto;
- Urofluxometria em casos selecionados;
- Cistoscopia, quando há dúvida sobre estreitamento uretral ou outra obstrução.
O ultrassom ajuda a ver o volume da próstata, o estado da bexiga e se há impacto nos rins.
Quem acompanha o conteúdo de Dr. Paulo Maron já viu que o diagnóstico em urologia depende muito da soma entre sintomas, exame físico e imagem. Em alguns textos do blog, como orientações sobre avaliação urológica, esse raciocínio clínico aparece de forma clara.

Quando a sonda entra em cena
A sonda vesical não é castigo. Ela é uma ferramenta. Se a bexiga está muito cheia, dolorosa, e a urina não sai, a prioridade é drenar. Isso alivia a pressão e protege o trato urinário.
As indicações mais comuns são:
- Retenção urinária aguda com dor e distensão vesical;
- Retenção crônica com grande resíduo e risco para os rins;
- Monitorização do volume urinário em algumas internações;
- Pós-operatório de cirurgias urológicas;
- Impossibilidade temporária de urinar por obstrução ou fraqueza da bexiga.
Os tipos de cateter mais conhecidos são a sonda de alívio, usada para drenagem pontual, e a sonda de demora, geralmente tipo Foley, que fica por mais tempo. Em casos em que a passagem pela uretra não é segura ou não funciona, posso indicar uma derivação suprapúbica, feita pela parte baixa do abdome.
A sonda é indicada quando o benefício de esvaziar a bexiga supera o desconforto e os riscos do cateter.
Como é feita a sondagem vesical
Muita gente teme o procedimento. Eu entendo. Mas saber como ele é feito costuma reduzir o medo. Em ambiente adequado, com técnica limpa e material correto, a sondagem segue etapas bem definidas.
- Primeiro, eu confirmo a indicação e avalio se há sinais de trauma uretral, sangramento ou suspeita de estreitamento.
- Depois, faço higiene da região genital e preparo o material estéril.
- Aplico gel lubrificante, muitas vezes com anestésico local, para reduzir dor e atrito.
- Introduzo a sonda pela uretra com delicadeza, sem forçar.
- Quando a urina começa a sair, avanço um pouco mais para posicionar bem.
- Se for uma sonda de demora, inflo o balão com água estéril.
- Conecto ao sistema coletor e deixo a bolsa abaixo do nível da bexiga.
Em pacientes com próstata muito aumentada, a passagem pode ser mais difícil. Nessa hora, insistir sem técnica pode causar lesão. Por isso, o procedimento precisa ser feito por profissional treinado.
Os riscos ligados à sondagem incluem:
- Dor e ardor;
- Sangramento uretral;
- Falsa passagem por trauma;
- Infecção urinária;
- Espasmos da bexiga;
- Desconforto no dia a dia.
O maior erro é tentar forçar a passagem da sonda diante de resistência.
Como reduzir o risco de infecção com a sonda
Eu sempre explico que a sonda, por si só, já aumenta o risco de infecção. Isso não quer dizer que a infecção vai acontecer, mas exige cuidado diário.
As medidas mais úteis são:
- Manter higiene regular da região íntima;
- Evitar desconectar a bolsa sem necessidade;
- Deixar a bolsa coletora sempre abaixo da bexiga;
- Não dobrar o tubo;
- Lavar as mãos antes e depois de manusear o sistema;
- Observar febre, urina turva, cheiro forte ou dor.
Em casos acompanhados de perto, como os vistos por Dr. Paulo Maron em sua prática de urologia oncológica e funcional, esse cuidado simples evita muita complicação desnecessária. Para quem deseja conhecer melhor o perfil profissional, há uma página com mais informações em a trajetória de Paulo Maron.

É possível evitar a sonda?
Sim, em alguns casos. Mas isso depende de chegar antes da crise completa. Quando o homem ainda consegue urinar, mesmo mal, eu posso tentar medidas para reduzir a obstrução e evitar a necessidade de drenagem de urgência.
As opções variam conforme a causa:
- Medicamentos que relaxam a próstata e o colo da bexiga;
- Remédios que ajudam a reduzir o volume prostático ao longo do tempo;
- Ajuste de remédios que pioram a retenção;
- Tratamento de infecção ou inflamação;
- Cirurgias para desobstrução quando há falha do tratamento clínico.
Se a retenção já está instalada e a bexiga não esvazia, tentar evitar a sonda a qualquer custo pode ser uma escolha ruim.
Quando a causa é a próstata aumentada, a cirurgia pode mudar o rumo do quadro. A RTU da próstata, ou ressecção transuretral, segue como uma opção muito usada para desobstruir o canal urinário em próstatas de tamanho compatível. Em glândulas maiores, posso indicar prostatectomia simples em casos selecionados. Há ainda técnicas minimamente invasivas e, em alguns contextos, embolização das artérias prostáticas. Em um estudo com 11 pacientes com retenção urinária por HPB, houve sucesso clínico de 91% e redução do volume prostático após um ano, conforme pesquisa sobre embolização das artérias prostáticas em retenção por HPB.
Em São Paulo, Dr. Paulo Maron trabalha com técnicas modernas, incluindo cirurgia robótica e procedimentos menos invasivos, o que ajuda bastante no plano de tratamento de homens com obstrução urinária e doenças da próstata.
O que acontece depois da retirada da sonda
A retirada não encerra o caso. Eu costumo orientar o paciente a observar o chamado teste miccional, que é urinar de novo sem ajuda da sonda e com resíduo aceitável. Nem sempre isso dá certo logo na primeira tentativa.
No seguimento, eu avalio:
- Se o jato urinário voltou com força razoável;
- Se ainda há dor ou esforço;
- Quanto de urina sobra na bexiga;
- Se houve infecção;
- Qual tratamento de manutenção será feito.
Muitas vezes, o paciente sai aliviado e pensa que acabou. Eu não penso assim. Se a causa não for tratada, uma nova retenção pode surgir.
Como promover saúde urinária no dia a dia
Nem tudo depende de cirurgia ou cateter. Alguns hábitos ajudam a perceber o problema antes de uma urgência e podem reduzir crises.
Eu costumo orientar:
- Não ignorar jato fraco e aumento da frequência urinária;
- Evitar automedicação, sobretudo com remédios que podem piorar a micção;
- Controlar diabetes e doenças neurológicas;
- Manter acompanhamento urológico regular após os 50 anos, ou antes se houver sintomas;
- Investigar sangue na urina, infecção repetida ou dor ao urinar.
Quem quer continuar lendo sobre sintomas, exames e dúvidas frequentes pode achar outros temas relacionados em conteúdos sobre saúde da próstata, orientações sobre tratamentos urológicos e também na área de busca do blog, onde é possível localizar assuntos específicos.
Eu concluo de forma direta: nem toda próstata aumentada leva à sonda, mas toda retenção urinária merece avaliação rápida. Quando o tratamento começa cedo, muitas vezes dá para controlar sintomas, reduzir risco de crise e escolher a melhor abordagem com calma. Se você está urinando mal, teve episódio de travamento ou quer avaliar a próstata com atenção, vale marcar uma consulta com Dr. Paulo Maron e conhecer um atendimento especializado, presencial ou online, voltado para diagnóstico, tratamento e seguimento seguro.
Perguntas frequentes
O que causa retenção urinária em homens?
A retenção urinária em homens pode ser causada por próstata aumentada, estreitamento da uretra, infecção, pedra no trato urinário, alterações neurológicas e alguns medicamentos. A hiperplasia prostática benigna é uma das causas mais comuns depois dos 50 anos.
Como tratar a próstata aumentada sem sonda?
Quando ainda não houve bloqueio completo, o tratamento pode ser feito com remédios para relaxar a saída da bexiga e reduzir o impacto da próstata, além de acompanhamento com exames e avaliação do resíduo urinário. Em alguns casos, procedimentos e cirurgias resolvem a obstrução sem necessidade de manter sonda.
Quando é necessário usar sonda urinária?
A sonda urinária é indicada quando a bexiga está cheia e o paciente não consegue urinar, quando há grande resíduo urinário com risco de complicação, no pós-operatório de alguns procedimentos e em situações em que é preciso drenar a urina com segurança.
É possível evitar a sonda na próstata aumentada?
Sim, pode ser possível se o problema for reconhecido cedo. O tratamento clínico ou cirúrgico da obstrução prostática pode evitar que a retenção fique completa. Mas, se a bexiga já não esvazia, a sonda pode ser necessária para aliviar a pressão e proteger o aparelho urinário.
Quais os riscos do uso prolongado da sonda?
Os principais riscos são infecção urinária, desconforto, sangramento, lesão da uretra, entupimento do cateter e formação de cálculo. Por isso, o uso prolongado deve ser acompanhado por urologista, com revisão da real necessidade da sonda e plano para retirada quando possível.








