Muitos pacientes chegam ao consultório com o pedido médico ou a guia do convênio em mãos e uma palavra difícil de pronunciar: prostatavesiculectomia radical. É natural estranhar o termo e até achar que se trata de uma cirurgia diferente da que foi conversada na consulta.
Resposta direta: prostatavesiculectomia radical é o nome técnico da prostatectomia radical, a cirurgia que retira toda a próstata junto com as vesículas seminais. Ela é usada no tratamento do câncer de próstata, pode aparecer escrita como prostatovesiculectomia e pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. Quando indicado, o pedido também inclui a retirada de linfonodos da pelve (linfadenectomia).
Neste artigo, explico o que significa cada parte do termo, o que costuma aparecer no pedido médico, como é a recuperação e quais perguntas vale fazer antes de autorizar a cirurgia.
Neste artigo:
- O que significa prostatavesiculectomia radical?
- É a mesma cirurgia que a prostatectomia radical?
- O que costuma aparecer no pedido médico?
- Quando ela é indicada?
- Como é a cirurgia e a recuperação?
- Quais efeitos podem acontecer?
- O que perguntar antes de autorizar a cirurgia?
- Perguntas frequentes
O que significa prostatavesiculectomia radical?

O termo junta três partes. Prostata se refere à próstata; vesícula, às vesículas seminais, duas pequenas glândulas que ficam atrás da próstata e produzem parte do sêmen; e ectomia significa retirada. Já a palavra radical indica que a próstata é retirada por inteiro, com a sua cápsula, e não apenas uma parte dela.
Em outras palavras, a prostatavesiculectomia radical retira a próstata e as vesículas seminais em bloco. Depois disso, a bexiga é costurada à uretra, e uma sonda fica no lugar por alguns dias para proteger essa costura enquanto ela cicatriza.
A prostatavesiculectomia radical é a mesma cirurgia que a prostatectomia radical?
Sim. Na prática, prostatectomia radical, prostatavesiculectomia radical e prostatovesiculectomia radical descrevem o mesmo procedimento. Como as vesículas seminais sempre são retiradas junto com a próstata no tratamento do câncer, muitos pedidos e tabelas de procedimentos usam o nome mais longo. Também é comum ver a palavra “retropúbica”, que se refere à via aberta tradicional, feita por uma incisão abaixo do umbigo. Ou seja, o nome descreve o que é retirado, enquanto a via de acesso descreve como a cirurgia é feita.
Ela é diferente da prostatectomia simples, usada na próstata aumentada benigna, em que se retira apenas o miolo da glândula. Explico essa diferença em detalhes no artigo sobre prostatectomia.
O que costuma aparecer no pedido de prostatavesiculectomia radical?
Os nomes e os códigos variam entre operadoras e hospitais, mas alguns termos aparecem com frequência:
| Termo no pedido | O que significa |
|---|---|
| Prostatavesiculectomia radical | Retirada completa da próstata e das vesículas seminais |
| Via laparoscópica ou robótica | Cirurgia por pequenas incisões; a robótica é uma laparoscopia assistida por robô |
| Linfadenectomia pélvica | Retirada de linfonodos da pelve, quando indicada pelo risco do tumor |
| CID C61 | Código da classificação internacional de doenças para câncer de próstata |
| Preservação de feixes neurovasculares | Tentativa de preservar os nervos ligados à ereção, quando é seguro |
Além do pedido, o convênio costuma pedir um relatório com a biópsia, o PSA, a ressonância e os exames de estadiamento. Por isso, vale reunir esses documentos desde cedo, já que a falta de um deles pode atrasar a autorização.
Quando a prostatavesiculectomia radical é indicada?
Ela costuma ser considerada no câncer de próstata localizado ou localmente avançado, principalmente nos tumores de risco intermediário ou alto, em homens com boa saúde geral e expectativa de vida longa. O risco é estimado pela combinação do PSA, da ressonância e da escala de Gleason na biópsia.
Ainda assim, ela não é a única opção. A radioterapia e, nos tumores de baixo risco, a vigilância ativa também são alternativas válidas. Explico como avalio cada caso na página sobre a cirurgia robótica da próstata em São Paulo.
Como é a cirurgia e a recuperação?
Na via robótica, a cirurgia costuma durar de 2 a 4 horas. Em geral:
- a internação é de 1 a 2 dias;
- a sonda fica por cerca de 7 a 10 dias;
- atividades leves voltam entre 2 e 4 semanas;
- esforço físico e peso ficam liberados após 4 a 6 semanas;
- o primeiro PSA é feito entre 4 e 8 semanas após a cirurgia.
Detalhei cada fase no artigo sobre o repouso após cirurgia de próstata e também em como é a recuperação da prostatectomia robótica. Depois da cirurgia, o patologista analisa a peça e confirma o Gleason final e as margens cirúrgicas.
Quais efeitos podem acontecer após a prostatavesiculectomia radical?
Os efeitos que mais preocupam são a perda urinária e a disfunção erétil. A perda de urina costuma ser temporária: em revisões de grandes séries, cerca de 7 a 9 em cada 10 homens estão continentes um ano após a cirurgia robótica. A ereção depende da função antes da cirurgia, da idade e da possibilidade de preservar os nervos.
Além disso, como a próstata e as vesículas seminais produzem o sêmen, a ejaculação deixa de existir, mas o orgasmo permanece. Por isso, quem deseja ter filhos deve conversar sobre o congelamento de sêmen antes da cirurgia.
Neste vídeo, explico como fica a vida sexual do homem após a retirada da próstata.

Quando eu converso com pacientes que estão com o pedido nas mãos, percebo que entender o nome da cirurgia já tira boa parte do medo. A partir daí, a conversa passa a ser sobre o que realmente importa: o tumor, a recuperação e as expectativas de cada um.
O que perguntar antes de autorizar a cirurgia?
Antes de seguir com a autorização, vale esclarecer com o seu urologista:
- qual será a via de acesso (aberta, laparoscópica ou robótica) e por quê;
- se haverá retirada de linfonodos;
- se será possível preservar os nervos da ereção de um ou dos dois lados;
- em qual hospital a cirurgia será feita e quem fará parte da equipe;
- como será o seguimento com PSA e a reabilitação da continência e da ereção;
- quais seriam as alternativas no seu caso, como radioterapia ou vigilância ativa.
Se você recebeu um pedido de prostatavesiculectomia radical e quer entender as opções para o seu caso, vale buscar uma avaliação especializada. O Dr. Paulo Maron atende em São Paulo com foco em urologia oncológica, tecnologia moderna e cuidado individualizado, com possibilidade de consulta presencial ou online. Agende sua avaliação pelo WhatsApp. Veja também onde atendo e opero em São Paulo.
Perguntas frequentes sobre a prostatavesiculectomia radical
Prostatavesiculectomia radical é o mesmo que tirar a próstata?
Sim. É a retirada completa da próstata, junto com as vesículas seminais, para tratar o câncer de próstata.
A prostatavesiculectomia radical retira os testículos?
Não. Os testículos não são retirados nessa cirurgia. A produção de testosterona continua normalmente.
Qual a diferença para a prostatectomia simples?
A prostatectomia simples retira apenas o adenoma, que é a parte que cresce na próstata aumentada benigna. A radical retira toda a glândula e é usada no câncer.
O convênio cobre a prostatavesiculectomia radical robótica?
A prostatectomia radical tem cobertura, mas custos específicos da via robótica variam conforme o contrato e o hospital. A equipe ajuda a verificar cada situação antes da cirurgia.
Depois da cirurgia ainda existe ejaculação?
Não. O orgasmo permanece, mas sem saída de sêmen, porque a próstata e as vesículas seminais foram retiradas.
Quanto tempo depois da biópsia posso operar?
Costumo aguardar algumas semanas após a biópsia, para que a inflamação local diminua. O intervalo exato é definido caso a caso, junto com os exames de estadiamento.
Referências
- European Association of Urology (EAU). Guidelines on Prostate Cancer.
- American Urological Association (AUA/ASTRO). Clinically Localized Prostate Cancer Guideline.
- Ficarra V, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting urinary continence recovery after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol, 2012.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de próstata.
Revisado pelo Dr. Paulo Maron em outubro de 2026.
Dr. Paulo Maron – Cirurgião Urologista | CRM-SP 133073 | RQE 76145. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
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