A prostatectomia é a cirurgia que retira a próstata, total ou parcialmente. Ela é uma das formas de tratamento mais usadas no câncer de próstata, que é o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens no Brasil, e também pode ser indicada em alguns casos de próstata muito aumentada.

Resposta direta: existem dois tipos principais de prostatectomia. A radical retira toda a próstata e as vesículas seminais e é usada no tratamento do câncer. A simples retira apenas o miolo aumentado da glândula (o adenoma) e é usada na hiperplasia benigna. As duas podem ser feitas por via aberta, laparoscópica ou robótica, e a escolha depende do diagnóstico, do tamanho da próstata e da saúde de cada paciente.

Quando eu converso com pacientes que acabaram de receber essa indicação, percebo que boa parte da ansiedade vem de não saber o que exatamente será feito. Neste artigo, explico o que é a prostatectomia, quais são os tipos, como costuma ser a recuperação e quais são as alternativas.

Neste artigo:

O que é prostatectomia?

Tipos de prostatectomia: radical e simples, com vias aberta, laparoscópica e robótica

O termo vem do grego e significa, literalmente, retirada da próstata. A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada logo abaixo da bexiga e envolvendo o início da uretra. Ela produz parte do líquido do sêmen e, por isso, tem papel na fertilidade.

Como a próstata fica em uma região estreita da pelve, perto dos nervos da ereção e do esfíncter que controla a urina, qualquer cirurgia nessa área exige planejamento cuidadoso. É justamente por esse motivo que a técnica e a experiência da equipe fazem diferença no resultado funcional.

Quais são os tipos de prostatectomia?

Prostatectomia radical

É a retirada completa da próstata e das vesículas seminais e, quando indicado, dos linfonodos da pelve. Depois da retirada, a bexiga é costurada à uretra. Ela é feita em pacientes com câncer de próstata (na maioria das vezes, o adenocarcinoma acinar usual), em geral quando a doença está localizada na glândula ou próxima dela, e o objetivo é a cura oncológica.

Prostatectomia simples

Também chamada de adenomectomia, retira apenas o adenoma, que é a parte que cresce na hiperplasia benigna da próstata (HPB). A cápsula da glândula é preservada. Hoje, em próstatas grandes, ela divide espaço com técnicas endoscópicas como o HoLEP, que explico na página sobre a cirurgia a laser da próstata e no texto sobre próstata maior que 80 g.

  Prostatectomia radical Prostatectomia simples
Doença tratada Câncer de próstata Hiperplasia benigna (próstata aumentada)
O que é retirado Toda a próstata e as vesículas seminais Apenas o adenoma; a cápsula fica
Seguimento PSA periódico Avaliação dos sintomas urinários
Ejaculação Deixa de existir Costuma ficar retrógrada

Quais são as vias de acesso da prostatectomia?

Cirurgia aberta

É feita por uma incisão abaixo do umbigo até a região do púbis. Foi a via convencional por muitos anos e ainda é uma opção. Na prostatectomia simples, uma das formas de acesso é pela bexiga.

Prostatectomia transvesical (PTV)

Na PTV, usada na prostatectomia simples, o urologista faz um corte na bexiga para chegar à próstata e retira, por dentro, o tecido que cresceu. É uma opção clássica para próstatas muito grandes e também pode ser feita por via laparoscópica ou robótica. Em muitos desses casos, o HoLEP passou a ser uma alternativa sem cortes na pele.

Laparoscopia

O cirurgião opera por pequenas incisões, com uma câmera e instrumentos longos. A recuperação tende a ser mais confortável do que na cirurgia aberta, mas a técnica tem limitações de movimento em espaços muito estreitos.

Cirurgia robótica

É a evolução da laparoscopia: as pinças são articuladas e controladas pelo cirurgião a partir de um console, com visão 3D ampliada. Em estudo randomizado comparando a via robótica com a aberta, houve menos sangramento e internação mais curta, com resultados funcionais semelhantes em mãos experientes. Explico as etapas, o preparo e a recuperação na página sobre a cirurgia robótica da próstata em São Paulo.

Quando a prostatectomia é indicada?

No câncer, a prostatectomia radical costuma ser considerada quando:

  • o tumor está localizado ou localmente avançado, confirmado por biópsia;
  • o risco é intermediário ou alto, considerando o PSA, a ressonância e a escala de Gleason;
  • a expectativa de vida e a saúde geral justificam um tratamento com intenção curativa.

Já na hiperplasia benigna, a cirurgia entra quando os sintomas urinários atrapalham a vida, quando há retenção urinária, cálculos na bexiga, infecções de repetição ou piora da função dos rins.

Em ambos os cenários, a indicação é individual. Antes de decidir, vale entender bem o diagnóstico; se você está nessa etapa, o texto sobre o PI-RADS na ressonância da próstata pode ajudar.

Como é o pós-operatório da prostatectomia?

Na prostatectomia radical, a bexiga é costurada à uretra e uma sonda fica como molde para a cicatrização. Em geral, a sonda permanece por 7 a 10 dias e é retirada no consultório. Na via robótica, a internação costuma ser de 1 a 2 dias.

Nas semanas seguintes, as orientações mais importantes são:

  • caminhar desde os primeiros dias, para reduzir o risco de trombose;
  • evitar pegar peso e fazer esforço abdominal por 4 a 6 semanas;
  • fazer os exercícios do assoalho pélvico, de preferência com fisioterapeuta;
  • fazer o primeiro PSA entre 4 e 8 semanas após a cirurgia, nos casos de câncer.

Neste vídeo, respondo às dúvidas mais comuns sobre como é a vida após a retirada da próstata.

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Depois da cirurgia de câncer, o PSA deve ficar praticamente indetectável. Se ele aparecer acima de zero, explico o que pode significar no artigo sobre PSA após a cirurgia de próstata. Para o passo a passo do pós-operatório da cirurgia com robô, veja também como é a recuperação da prostatectomia robótica.

Quais são os efeitos possíveis da prostatectomia?

Os efeitos que mais preocupam os homens são a perda urinária e a disfunção erétil. A perda de urina costuma ser temporária: em revisões de grandes séries de cirurgia robótica, cerca de 7 a 9 em cada 10 homens estão continentes em um ano. A ereção depende muito de como ela era antes da cirurgia, da idade e da possibilidade de preservar os nervos.

A pergunta que mais ouço é se a vida volta ao normal. Na maioria dos casos, sim, mas o caminho é gradual, e a reabilitação faz parte do tratamento, e não um detalhe.

Outros efeitos incluem a ausência de ejaculação após a prostatectomia radical e, com menor frequência, sangramento, infecção, trombose e estreitamento da anastomose. Detalho esse tema em consequências da retirada da próstata, em incontinência urinária e no texto sobre o que muda ao tirar a próstata.

Existem alternativas à prostatectomia?

Sim. No câncer de próstata localizado, as principais alternativas são a radioterapia e, para tumores de baixo risco, a vigilância ativa, com PSA, ressonância e biópsias periódicas. No estudo ProtecT, com 15 anos de acompanhamento, a mortalidade pelo câncer foi baixa e semelhante entre cirurgia, radioterapia e monitoramento ativo, mas os efeitos colaterais foram diferentes em cada grupo.

Na hiperplasia benigna, há remédios e procedimentos minimamente invasivos, como laser e vapor d’água, conforme o tamanho da próstata. Por isso, a melhor decisão é sempre a que considera o seu diagnóstico, a sua saúde e as suas prioridades. Se você quer entender se a prostatectomia robótica que realizo em São Paulo se aplica ao seu caso, a consulta é o momento de discutir isso com calma.

Se você recebeu a indicação de cirurgia ou tem dúvidas sobre o tratamento, vale buscar uma avaliação especializada. O Dr. Paulo Maron atende em São Paulo com foco em urologia oncológica, tecnologia moderna e cuidado individualizado, com possibilidade de consulta presencial ou online. Agende sua avaliação pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes sobre prostatectomia

Prostatectomia radical e simples são a mesma cirurgia?

Não. A radical retira toda a próstata e é usada no câncer. A simples retira apenas o adenoma e é usada na próstata aumentada benigna.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Na prostatectomia radical robótica, costuma durar de 2 a 4 horas, dependendo da anatomia e da necessidade de retirar linfonodos.

Quanto tempo fico com sonda após a prostatectomia?

Na prostatectomia radical, em geral de 7 a 10 dias. Nas cirurgias para hiperplasia, o tempo costuma ser menor e varia com a técnica.

A prostatectomia causa impotência?

Pode afetar a ereção, principalmente nos primeiros meses após a cirurgia radical. A recuperação depende da ereção prévia, da idade e da preservação dos nervos, e existe tratamento.

Depois da prostatectomia ainda preciso fazer PSA?

Sim, nos casos de câncer. O primeiro exame costuma ser feito entre 4 e 8 semanas após a cirurgia e, depois, em intervalos definidos no seguimento.

Quando posso voltar a trabalhar?

Atividades sem esforço físico costumam ser retomadas entre 2 e 4 semanas. Trabalhos pesados exigem mais tempo, em geral após 6 semanas.

Referências

Revisado pelo Dr. Paulo Maron em outubro de 2026.

Dr. Paulo Maron – Cirurgião Urologista | CRM-SP 133073 | RQE 76145. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

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