Receber o diagnóstico de câncer de próstata costuma trazer muitas perguntas ao mesmo tempo: qual tratamento escolher, se é preciso operar, quanto tempo leva a recuperação e onde fazer tudo isso com segurança. Por isso, nesta página, explico como organizo o tratamento do câncer de próstata em São Paulo, dentro da urologia oncológica (uro-oncologia), da primeira consulta ao seguimento.
Resposta direta: o tratamento do câncer de próstata em São Paulo é definido caso a caso, a partir do risco do tumor (PSA, escore de Gleason/ISUP, ressonância e estadiamento), da idade, da saúde geral e das preferências de cada homem. Em geral, as principais opções para a doença localizada são a vigilância ativa, a cirurgia (prostatectomia radical, em geral robótica) e a radioterapia; na doença avançada, o tratamento é sistêmico e multidisciplinar. Em estudos de longo prazo, a mortalidade pelo câncer de próstata localizado em 15 anos ficou em torno de 3 em cada 100 homens, com qualquer das três estratégias iniciais.
Neste artigo
- O que é a urologia oncológica?
- Como é definido o tratamento do câncer de próstata em São Paulo?
- Quais são as opções de tratamento?
- Como as opções se comparam?
- Como funciona o tratamento, etapa por etapa?
- E quando o câncer de próstata está avançado?
- Quais outros cânceres urológicos são tratados?
- Onde faço o tratamento do câncer de próstata em São Paulo?
- Perguntas frequentes
O que é a urologia oncológica (uro-oncologia)?

A urologia oncológica, também chamada de uro-oncologia, é a área da urologia dedicada aos tumores do sistema urinário e do aparelho genital masculino: próstata, rim, bexiga, testículo, pênis, adrenal e vias urinárias. Ou seja, na prática, o urologista oncológico participa do diagnóstico, indica e realiza a cirurgia quando ela é a melhor opção e acompanha o paciente por anos depois do tratamento.
Além disso, o câncer de próstata é o tumor mais frequente nessa área e um dos mais comuns entre os homens brasileiros, segundo o INCA. Por isso, boa parte da minha rotina é dedicada a ele, mas o mesmo cuidado vale para os demais tumores urológicos.
Como é definido o tratamento do câncer de próstata em São Paulo?
Quando eu converso com um paciente recém-diagnosticado, a primeira mensagem é que não existe um tratamento único para todos. Por isso, a decisão leva em conta, principalmente:
- Risco do tumor: valor do PSA, escore de Gleason/grupo ISUP da biópsia, quantidade de fragmentos com câncer e achados da ressonância da próstata (PI-RADS);
- Estadiamento: se o tumor está restrito à próstata ou se há sinais de disseminação, avaliados por exames de imagem, como o PET-PSMA quando indicado;
- Idade e saúde geral: expectativa de vida, doenças associadas e condição física para cirurgia;
- Função urinária e sexual antes do tratamento;
- Preferências e prioridades de cada homem, depois de entender riscos e benefícios.
De forma simplificada, as diretrizes da EAU e da AUA/ASTRO agrupam a doença localizada em baixo, intermediário e alto risco. Se você recebeu um resultado de Gleason 7, por exemplo, explico as diferenças entre 3+4 e 4+3 no artigo sobre câncer de próstata Gleason 7.
Afinal, uma boa decisão sobre o tratamento do câncer de próstata em São Paulo não nasce da pressa: nasce de exames bem interpretados e de uma conversa franca sobre o que cada opção oferece e cobra.
Quais são as opções para o tratamento do câncer de próstata em São Paulo?
Vigilância ativa
Em primeiro lugar, costumo indicá-la para tumores de baixo risco (e casos selecionados de risco intermediário favorável). Assim, em vez de tratar de imediato, acompanhamos o câncer com PSA a cada 3 a 6 meses, ressonância e nova biópsia em intervalos programados. Por outro lado, se houver sinais de progressão, indicamos o tratamento ativo. Saiba mais sobre a vigilância ativa no câncer de próstata.
Cirurgia: prostatectomia radical robótica
A prostatectomia radical retira a próstata e as vesículas seminais e, quando indicado, os linfonodos da pelve. Atualmente, em geral, faço essa cirurgia por via robótica, com pequenas incisões e visão ampliada em 3D. Em linhas gerais, a internação é de 1 a 2 dias, a sonda fica por 7 a 10 dias, atividades leves voltam em 2 a 4 semanas e esforço físico, após 4 a 6 semanas. Depois disso, o primeiro PSA costuma acontecer entre 4 e 8 semanas. Também detalho tudo na página de cirurgia robótica da próstata em São Paulo.
Radioterapia
Por sua vez, a radioterapia externa trata a próstata sem cortes, em sessões diárias que variam de 5 (radioterapia estereotáxica) a cerca de 20 a 40 aplicações, conforme a técnica. Além disso, em tumores de risco intermediário e alto, ela pode vir combinada com bloqueio hormonal por alguns meses. Além da radioterapia externa, também existe a braquiterapia, com fontes radioativas colocadas dentro da próstata. Veja mais sobre a radioterapia na próstata.
Terapias focais e outras opções
Por fim, técnicas como HIFU e crioterapia tratam apenas uma parte da próstata. No entanto, ainda são opções em avaliação, para casos muito selecionados e, de preferência, dentro de protocolos.
Como o risco do tumor muda a escolha entre essas opções? Por isso, gravei um vídeo explicando o que significa o Gleason 7 e como ele altera o plano de tratamento:

Como as opções de tratamento do câncer de próstata se comparam?
A tabela abaixo resume, de forma geral, as diferenças entre as três estratégias mais usadas na doença localizada. No entanto, os números são faixas aproximadas, baseadas nas diretrizes e no estudo ProtecT, e cada caso pode fugir delas.
| Aspecto | Vigilância ativa | Prostatectomia robótica | Radioterapia |
|---|---|---|---|
| Para quem costuma ser indicada | Baixo risco e casos selecionados de risco intermediário | Doença localizada de risco intermediário e alto, com boa saúde geral | Doença localizada de todos os riscos; alternativa à cirurgia |
| Como é feita | PSA, ressonância e biópsias periódicas | Cirurgia com internação de 1 a 2 dias | Sessões ambulatoriais, de 5 a cerca de 40 |
| Efeitos mais discutidos | Ansiedade com exames; parte dos homens precisará tratar depois | Perda de urina transitória; alteração da ereção | Sintomas urinários e intestinais; alteração da ereção |
| Retorno às atividades | Imediato | Leves em 2 a 4 semanas; esforço em 4 a 6 semanas | Em geral mantidas durante o tratamento |
| Mortalidade pelo câncer em 15 anos (ProtecT) | Cerca de 3 em cada 100 homens, sem diferença significativa entre as estratégias | ||
Na cirurgia, por exemplo, cerca de 7 a 9 em cada 10 homens recuperam a continência em até 1 ano. Por outro lado, a ereção depende muito da função prévia, da idade e da possibilidade de preservar os nervos. Por isso, esses temas são parte importante da conversa antes de qualquer decisão.
Como funciona o tratamento do câncer de próstata em São Paulo, etapa por etapa?
- Primeira consulta: revisão do PSA, da biópsia e da ressonância, exame físico e história clínica. Além disso, quando necessário, peço revisão da lâmina por outro patologista ou exames complementares;
- Estadiamento: exames de imagem conforme o risco, para saber se o tumor está restrito à próstata;
- Decisão compartilhada: apresento as opções adequadas ao seu caso, com vantagens, limitações e efeitos possíveis. Se a radioterapia for uma opção real, a conversa inclui o radio-oncologista;
- Tratamento: cirurgia, radioterapia ou início da vigilância, com orientações de preparo e recuperação. Para quem opera, preparei um guia de repouso após a cirurgia de próstata;
- Seguimento: PSA periódico, reabilitação urinária e sexual (incluindo fisioterapia pélvica) e acompanhamento de longo prazo.
E quando o câncer de próstata está avançado?
Quando o tumor já ultrapassou a próstata ou há metástases, o tratamento passa a ser principalmente sistêmico: bloqueio hormonal, novos agentes hormonais, quimioterapia e, em casos selecionados, radioterapia dirigida. Nessa fase, portanto, o trabalho em conjunto com oncologista clínico e radio-oncologista é essencial. Por isso, explico essas opções em detalhes no artigo sobre câncer de próstata avançado e, para uma visão geral de todas as alternativas, no guia sobre tratamento do câncer de próstata.
Quais outros cânceres urológicos são tratados na uro-oncologia?
Além do câncer de próstata, a urologia oncológica cuida de outros tumores, e muitos deles com tratamento por cirurgia minimamente invasiva:
- Câncer de rim: quando possível, a nefrectomia parcial preserva parte do órgão;
- Câncer de bexiga: do tratamento endoscópico à cistectomia, conforme o estágio;
- Câncer de testículo: mais comum em homens jovens, com altas chances de controle quando tratado cedo;
- Além disso, câncer de pênis, tumores da adrenal e tumores do ureter e das vias urinárias.
Onde faço o tratamento do câncer de próstata em São Paulo?
As consultas acontecem no meu consultório na Clínica Primazie, na Rua Afonso de Freitas, 377, conjuntos 403, 404 e 405, Paraíso, São Paulo – SP. Além disso, também atendo por consulta online, quando adequado ao caso, inclusive para revisão de exames e segunda opinião.
Por outro lado, as cirurgias acontecem principalmente nos hospitais Santa Catarina Paulista, Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês e Albert Einstein, de acordo com a indicação e com a cobertura de cada paciente. Assim, quem procura o tratamento do câncer de próstata em São Paulo faz a avaliação, o tratamento e o seguimento com a mesma equipe. A consulta é particular, e a equipe orienta sobre documentos para reembolso e sobre as etapas com o hospital e o plano de saúde.
Sobre o Dr. Paulo Maron
Sou cirurgião urologista, com foco em urologia oncológica e cirurgia minimamente invasiva. Minha formação inclui:
- Residência médica em Cirurgia Geral e em Urologia pela Santa Casa de São Paulo;
- Título de Especialista em Urologia (TiSBU – Sociedade Brasileira de Urologia);
- Mestrado em Oncologia pelo A.C.Camargo Cancer Center;
- Observer Fellowship em Uro-oncologia no City of Hope (Estados Unidos);
- Membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da American Urological Association (AUA).
CRM-SP 133073 | RQE 76145. Conheça mais da minha trajetória na página sobre o Dr. Paulo Maron.
Se você recebeu o diagnóstico de câncer de próstata ou tem um PSA alterado e quer entender suas opções, vale buscar uma avaliação especializada. O Dr. Paulo Maron atende em São Paulo com foco em urologia oncológica, tecnologia moderna e cuidado individualizado, com possibilidade de consulta presencial ou online. Agende sua avaliação pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes sobre o tratamento do câncer de próstata em São Paulo
Todo câncer de próstata precisa de cirurgia?
Não. Tumores de baixo risco, em geral, podem ser acompanhados com vigilância ativa, e a radioterapia é uma alternativa à cirurgia em muitos casos. Em resumo, a indicação depende do risco do tumor, da idade e da saúde geral.
Quanto tempo tenho para decidir o tratamento?
Por exemplo, na maioria dos tumores localizados, há algumas semanas para completar os exames e decidir com calma, sem prejuízo ao resultado. Por outro lado, tumores de alto risco pedem um planejamento mais rápido. Assim, faço essa avaliação na consulta.
Quanto tempo fico internado na cirurgia robótica da próstata?
Em geral, de 1 a 2 dias, porque a cirurgia é minimamente invasiva. Além disso, a sonda costuma ficar por 7 a 10 dias, e o retorno a atividades leves acontece entre 2 e 4 semanas.
Posso fazer segunda opinião sobre o tratamento do câncer de próstata em São Paulo?
Sim. Afinal, buscar uma segunda opinião é comum em decisões importantes. Para isso, basta trazer os laudos e, se possível, as imagens da ressonância e o laudo completo da biópsia; a consulta pode ser presencial ou online.
O tratamento do câncer de próstata afeta a ereção e o controle da urina?
Sim, pode afetar, porém em graus diferentes conforme o tratamento, a idade e a função antes dele. Na cirurgia, cerca de 7 a 9 em cada 10 homens recuperam a continência em até 1 ano, e a reabilitação ajuda na recuperação da ereção.
O plano de saúde cobre o tratamento do câncer de próstata?
Em geral, a cobertura varia conforme o plano e o procedimento. A consulta é particular, e a equipe orienta sobre os documentos para reembolso e as etapas de autorização com o hospital e o convênio.
Referências
- EAU – European Association of Urology. EAU Guidelines on Prostate Cancer.
- AUA/ASTRO. Clinically Localized Prostate Cancer: AUA/ASTRO Guideline.
- Hamdy FC et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med, 2023.
- INCA – Instituto Nacional de Câncer. Câncer de próstata.
Revisado pelo Dr. Paulo Maron em outubro de 2026.
Dr. Paulo Maron – Cirurgião Urologista | CRM-SP 133073 | RQE 76145. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.




